Quando ser bom não basta…

Não basta ser bom. É preciso ser fiel.

Não basta ser fiel. É preciso ser bom.

Não no sentido de bondade. Mas na capacidade de fazer bem feito.

Insuperável dentro dos seus próprios limites, sem necessidade de comparação com outros que podem até ser melhores, mas jamais serão julgados bons em comparação ao potencial que recebemos. Receberam muito. Foram equipados, mas não conseguiram revelar e usar todo o seu potencial. Espécie de hidroeléctricas que nunca produzem o total de sua potencialidade. Não se trata de jogo de palavras. Desejo reflectir com você sobre sua produção na causa de Cristo. Como está o seu comprometimento com o Senhor? Será que você já atingiu o seu máximo produtivo? Ou talvez esteja aguardando oportunidades e condições para realizar o que jamais será executado? Espécie de projecto eternamente inacabado, a aguardar peças inexistentes.

Como salvos somos chamados a servir. Com amor, desprendimento e dedicação exclusiva. É da essência do cristianismo servir. Não há lugar nos ensinos de Jesus para os que desejam apenas receber, sem nunca retribuir. Jesus afirmou que veio para servir (Mt 20:28) e não para ser servido. Ao contemplar a multidão faminta, que o seguia, ordenou aos discípulos “dai-lhe vós de comer” (Mt 14:16). Após agradecer e partir os pães e peixes ordenou que servissem à multidão. Não há como fugir do servir se realmente somos salvos por Cristo. Paulo diz aos orgulhosos coríntios que serviu por amor. Trabalhou para não ser pesado a ninguém, pois melhor é dar do que receber. Embora tivesse o direito de ser servido (I Co 9), preferiu servir.

A Igreja do Senhor Jesus passa hoje por uma crise em não poder contar com pessoas, em número suficiente, para a execução do seu ministério. Temos no rol de membros pessoas altamente qualificadas, nas diversas áreas profissionais. A maioria com especializações várias. São aplaudidas e respeitadas em suas acções. Louvado seja Deus por esta realidade. Mas improdutivas no reino de Deus. Irmãos que comandam com eficiência centenas de empregados. Levam-nos a produzir o máximo. Com excelente responsabilidade. Mas não conseguem exercer com perfeição um simples cargo de recepcionista na entrada do templo. Não conseguem dialogar e se impor a dois adolescentes, filhos de pais irresponsáveis, que decidem permanecer conversando do lado de fora durante o culto. Por quê?

A experiência tem revelado, com tristeza, que apenas vinte e cinco por cento dos membros da Igreja se comprometem, se envolvem e se dispõem servir à grei. Os outros setenta e cinco por cento permanecem sentados nos bancos usufruindo o resultado do trabalho da minoria. Destes, alguns, aplaudem. Um grupo maior critica. Os demais permanecem indiferentes. Caso a Igreja venha a fechar as portas, levarão seis meses para descobrir que não há mais Igreja no local. Difícil explicar tal atitude. São os crentes quatro “s”, segundo o Pastor Ezequias, Promotor de Missões Nacionais: “Salvos, satisfeitos, sentados, sonolentos”.

É um grupo expressivo de pessoas descomprometidas com as lides do Senhor. Não há como justificar tal agir. Algo está errado. Há na Igreja possibilidades diversas para se atuar na causa. Serviço para todos. Mesmo que isto não ocorresse, o salvo que se recusa servir, poderia pelo menos, ser gentil e receptivo ao pecador que se aproxima da grei, em busca da verdade bíblica. Cumprimentá-lo. Gerar ambiente acolhedor aos interessados no Evangelho. Mas nem isto o grupo da indolência faz. Chega mais tarde. Sai mais cedo. Não se integra nas diversas organizações com medo de que alguém o convide a orar silenciosamente. São salvos desconhecidos. Nunca compartilham da alegria do servir e do servir com alegria. Não sei como vão prestar contas a Deus dos talentos recebidos.

Qualquer Igreja seria diferente e dinâmica, caso todos os seus membros se dispusessem a ser fiéis e bons mordomos. A alegria seria contagiante. O mundo, sem Cristo, seria sacudido com a mensagem do Evangelho. O não actuar no reino de Deus é pecado. Péssimo testemunho. Entrave à expansão do Evangelho. Maldição no expandir da grei.

Enquanto isso alguns vivem esbaforidos, tentando realizar além das suas possibilidades. Tentam promover e manter o espectáculo. Às vezes sem tempo de buscar comunhão mais íntima com Deus, visando preencher a lacuna deixada pelo irmão preguiçoso. Na maioria das vezes, crítico ingrato das falhas dos que trabalham com elevada dificuldade.

Somos tentados a duvidar da experiência de salvação daqueles que só buscam receber. Contradizem o Evangelho de Cristo. Confirmam ausência de amor a tão maravilhoso Salvador. Claro que ninguém precisa se transformar em Martas, que pelo anseio de servir, esquecem a comunhão (Lc 10:38-42) com o Senhor. Mas não podemos esquecer do desafio do salmista: “Servi ao Senhor com alegria” (Sl 100:2).

Servir com alegria é usar os talentos recebidos. Multiplicá-los na expansão do reino. Fazê-los bênçãos para outros. Sentir-se útil no local onde Deus o inseriu. É poder retornar sempre à presença do Senhor e prestar contas das responsabilidades recebidas. Poder ouvir dos lábios do Mestre: “Servo bom e fiel. Você foi fiel ao administrar o pouco que lhe confiei. Tenho algo mais para acrescentar ao seu património espiritual. Confio que você não vai enterrar os meus bens”, dirá Jesus. Isto pode ser apenas cuidar de um bebé. Abraçar um visitante. Controlar as finanças. Cantar num dos coros. Pregar uma mensagem. Ministrar a um grupo de adolescentes. Visitar um enfermo. Ser gentil com o irmão. Consolar alguém triste. Não importa a função. Requer-se que sejamos bons e fiéis mordomos. Qual a sua reacção?


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